Entrevista | Autor de Prisão de Sal fala sobre livro, referências gamers e mercado

1 week ago 10

Já faz um tempo que o mercado de jogos entrou em todas as mídias de alguma forma. Seja em adaptações cinematográficas, quadrinhos e até mesmo livros. E o contrário também está acontecendo com mais frequência, sendo com referências vindas de clássicos e até mesmo livros que viraram jogos como no caso de Metro.

Em um bate papo com Arlindo Neto, autor dos livros Prisão de Sal e o seu mais recente Flores de Primaveras Mortas, falou sobre o mercado editorial brasileiro, jogos, entre outros assuntos de cultura pop. Confira abaixo e caso não conheça Prisão de Sal, clique aqui para saber mais deste livro que bem poderia ganhar uma versão para os consoles e/ou PCs e também a matéria com a co-autora do livro, Pietra Von Bretch.

1. Quem é Arlindo?

Esta é uma pergunta que me faço diariamente quando acordo. O Arlindo de hoje não é o mesmo de ontem e não será o mesmo de amanhã. Sou a metamorfose ambulante cantada por Raul Seixas. Eu sou um cara que caminha no meio da introversão e extroversão, que sonha acordado e que muda de opinião sem muito esforço. No geral sou sensato, organizado, cauteloso, cuidadoso e um pouco metódico.

2. Atualmente a indústria de jogos tem crescido de forma espetacular. E com ela as suas histórias. Muitos destes títulos tem bebido de obras como A Divina Comédia, Dante’s Inferno ou fazem homenagem a ele (Dante e Virgil de Devil May Cry), e até mesmo baseados em uma série de livros russa escrita por Dmitriy Glukhovskiy, Metro ou o mais famoso de todos The Witcher. Você acha que a partir de agora essa indústria também irá começar a comprar os direitos de obras literárias como acontece com o audiovisual?

Sem sombra de dúvidas! Com o avanço da computação, questões de jogabilidade e processamento gráfico deixaram de ser as principais dificuldades na criação de jogos. A criação do enredo/roteiro é parte fundamental deste processo, e uma boa história é fundamental para atrair e engajar os jogadores. Encaro as adaptações de livros pra os videogames como uma boa forma de assegurar o sucesso esperado, uma vez que já existe um público (leitores) que tem muito potencial para se tornar jogador e/ou adquirir o jogo como item de coleção.

3. Prisão de Sal é um livro com uma narrativa que mistura fantasia, realidade e mistério. Em nossa análise do livro até sugerimos que ele deveria virar um jogo e o comparamos com The Signifier. Vocês (o livro é escrito ao lado de Pietra Von Bretch, que por sinal já foi destaque nesta coluna) também se basearam em algum jogo ou gênero?

Sim e não. Pietra e eu trazemos em nossa bagagem muitas referências distintas e complementares: ela com os jogos de tabuleiro e eu com os digitais; ela com literatura policial e distópica e eu com fantasias e poesia. Por isso não podemos dizer que Prisão de Sal não se baseou em jogos. O nosso desejo sempre foi criar uma história que proporcionasse ao leitor uma experiência imersiva, como em um RPG, e que pudesse ser facilmente adaptada para o audiovisual.

4. Como você vê o mercado editorial atual brasileiro após todas estas mudanças mundiais por causa da pandemia, principalmente com os cancelamentos de grandes eventos e até mesmo lançamento de livros?

Os últimos anos foram, sem sombra de dúvidas, desafiadores. A pandemia deixou todos, num primeiro momento, sem saber o que fazer, mas trouxe várias oportunidades para o mercado editorial. Com o isolamento a leitura voltou/passou a fazer parte da vida de várias pessoas e a divulgação das leituras nas redes sociais virou trabalho (vide a quantidade de bookstagrammers que surgiram). Alguns perfis foram criados exclusivamente à divulgação de obras nacionais independentes, como é o caso do @literazil. Este “chamado à literatura” impulsionou as vendas de livros físicos e digitais e foi uma oportunidade para autores independentes que encontraram nas redes sociais o apoio necessário para a divulgação e avaliação dos seus trabalhos (como é o meu caso e de Pietra). O mercado editorial se adaptou e hoje qualquer pessoa consegue realizar o sonho de se tornar um autor publicado!

5. Além de Prisão de Sal, você acaba de lançar um livro de poemas, que está sendo imensamente bem recebido, inclusive com leitores afirmando que mudaram suas vidas (me passa depois se der da moça que comentou isso). E este é realmente o ‘trabalho’ de um escritor: tocar suas almas. Como tem sido para você escrever obras tão distintas e ao mesmo tempo ainda conseguir trazer a empatia do público?

Após a publicação de Prisão de Sal e de todo o retorno que recebemos, muitas pessoas começaram a me pedir para mostrar minhas poesias. Mas eu sempre fui muito inseguro a respeito da qualidade dos meus escritos. Demorou um tempo até eu tomar coragem e publicar Flores de Primaveras Mortas, que é um livro intimista e, de certa forma, autobiográfico.

Estas duas obras apresentam algumas das minhas várias faces: a criança tímida que sonha viver uma fantasia mágica; o adolescente dramático que sofre de amor; e o adulto maduro que olha para trás e não se arrepende de onde está. Acho que é esta transparência que gera a empatia do público, e eu sou muito grato e feliz por todas as mensagens que recebo das pessoas querendo saber o que estou planejando para o futuro.

6. Perguntas rápidas:

No que ou em quem daria um Fatality? Na pobreza

Do que você correria mais rápido do que o Sonic? “Ando devagar porque já tive pressa…”, mas se a barriga doer e eu precisar de um banheiro urgente, nem o The Flash nem o Sonic me alcançariam.

O pior jogo de sua vida (momento): Minecraft

O melhor jogo de sua vida (momento): Final Fantasy IX

Qual jogo (de verdade) você mais curte ou curtiu? Killer Instinct

Qual jogo (de verdade) você mais detestou? Pokémon Stadium

Qual personagem do universo dos jogos você acha que te representaria e por quê? Mega Man, pela sua capacidade de adaptação.

7. Após essas perguntas rápidas, qual sentimento você deixa para as pessoas e por que elas devem ler seus livros?

Relembrar tantos jogos que fizeram parte da minha infância e adolescência e pensar nas ligações que eles têm com Prisão de Sal e com Flores de Primaveras Mortas, me causou um misto de nostalgia e orgulho. Prisão de Sal é uma história que mistura elementos de fantasia e investigação policial em uma narrativa totalmente imersiva, que pode agradar leitores de diferentes gêneros literários. Flores de Primaveras Mortas é um experimento no mundo das artes, com diversas influências na música, poesia, matemática e pintura, e traz em sua essência momentos distintos e intimistas, que exprimem a minha evolução como humano e poeta. São obras distintas em estilo e proposta, mas que valem a pena serem lidas acompanhadas de um café ou vinho!

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